domingo, 14 de abril de 2013
E eis que o tempo tornou-se medida de sofrimento. Então a justiça tornou-se sinônimo do mesmo. Quando julgamentos tornam-se públicos e as sentenças determinadas aos réus interessam a toda uma população, sempre ouve-se que “n” anos de prisão não são o suficiente para compensar o mau que os mesmos causaram. Entristeço-me quando me dou conta de que o cárcere virou sinônimo de punição. As condições penitenciárias em nosso país são tão precárias que ser encarcerado significa pagar pelos erros cometidos. E assim, as pessoas parecem ter perdido os parâmetros de tempo.
A princípio, o encarceramento foi criado como uma alternativa para exilar da sociedade os cidadãos que, por motivos específicos, não tinham condições de conviver socialmente. Portanto, se uma pessoa cometia um crime, ela deveria se afastar de seus similares até que se recuperasse e tivesse outra chance. Com o tempo, a “lei do olho por olho” parece ter tomado conta, mais uma vez, dos princípios sociais. Se um homem mata ou estupra outro, uma vida inteira na cadeia parece não ser o suficiente para que ele responda por isso. Pensamento, este, vindo de uma mesma sociedade que julga ser tempo demais passar cinquenta e dois meses pagando o financiamento de uma casa. Onde estão os parâmetros?
Será que oito anos na cadeia não seria tempo suficiente para um ser humano rever seus conceitos? Imagine-se um ano inteiro trancado, longe de sua profissão, família, amigos, longe do mundo. Agora multiplique este sentimento por oito. Ainda não é o suficiente?
Então questiona-se o valor da vida e pergunta-se: “O cara matou uma criança e em vinte anos estará solto pra cometer outro crime? Quanto valia a vida daquela criança?”. Ora, se o tempo pudesse medir o valor da vida, deveríamos, então, friamente, calcular o tempo de encarceramento baseado na idade que possuía a vítima de um assassinato. E então seria “olho por olho, tempo por tempo”.
Talvez se a prisão servisse para recuperar o criminoso, ao invés de torná-lo pior, não ouvir-se-ia a justificativa política de que “a polícia prende o marginal, mas a justiça o solta”, a fim de lavar-se as mãos sobre a violência pública. Talvez, se houvesse tempo para que o encarcerado se reavaliasse ou, até mesmo, conhecesse outro caminho, senão o crime, a prisão não seria associada à punição; a justiça não seria sinônimo de sofrimento; e o sistema carcerário brasileiro não estaria associado à superlotação de celas ou de episódios nos quais criminosos saem da cadeia mais revoltados do que quando entraram e, assim, não encontram outra alternativa além do crime.
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